O SIMBOLISMO DE TIRADENTES NO BRASIL DA LAVA JATO

Em 1889, um monarquista alagoano pôs fim a Monarquia com a proclamação da República. Deodoro da Fonseca, influenciado pelo também militar Benjamin Constant, proclamou em 15 de novembro a República (coisa pública) Brasileira.
Com o fim da Monarquia, os republicanos foram buscar no período monárquico um herói para celebrar e representar a República. Este herói é Joaquim José da Silva Xavier, o Tiradentes.
O mais despossuído financeira e socialmente entre os inconfidentes, o Alferes Tiradentes tornou-se herói muito mais pela omissão e traição dos seus parceiros. Foi denunciado, enforcado, esquartejado e exposto em praça pública para que seu “exemplo” não fosse seguido.
Por que de fato Tiradentes foi condenado? Traidor da coroa portuguesa por contestar a Derrama (lei que aumentava os impostos no Brasil) e desejar a emancipação política do Brasil.
“Miserável país aquele que não tem herói. Miserável país aquele que precisa de heróis”. Com essa frase, o Dramaturgo alemão Bertolt Brecht nos alerta para o fato que enquanto país, precisamos produzir heróis, pessoas que tenham atitudes relevantes, pensamentos e ações inovadoras, sensíveis ao bem comum e indignados com a injustiça. Esses heróis impulsionam a nação, mas muitas vezes não arrasta seguidores. Aí reside a preocupação de Brecht quando afirma que miserável é o país que precisa de heróis.
Quando as instituições e os poderes se personificam em seus agentes, é um sinal que as instituições e as estruturas de poder não estão bem, pois apenas alguns dos seus representantes os utiliza da forma como a sociedade espera, daí se tornarem heróis. A operação Lava Jato produziu o novo herói nacional: O juiz Sérgio Moro.
Assim como com os Inconfidentes, a omissão de outros Magistrados, Desembargadores, Ministros e procuradores, ao longo desse tempo democrático, fez com que a ação de Moro e dos Procuradores de Curitiba, desenvolvesse um sentimento coletivo de heroísmo e completa dependência da denominada República de Curitiba para ressignificar a República Brasileira.
Se o 21 de abril, dia da morte de Tiradentes, tornou-se apenas um Feriado sem reflexão do legado de Tiradentes, da mesma forma não podemos depender apenas das ações dos heróis da República de Curitiba e das revelações dos delatores que tem desnudado as entranhas do poder da República Brasileira.
Precisamos ser seguidores dos heróis e nos tornarmos também heróis com nossas atitudes cotidianas, com nossos familiares, amigos, colaboradores e na sociedade como um todo. Se miserável é o país que depende de herói, miserável também, é quando não existe. Portanto, que o simbolismo de Tiradentes norteie nossas atitudes no sentido de nos fazer perguntar sempre: Qual o legado que estou deixando em minha casa, no meu trabalho, em minha cidade e no meu país?

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