EVASÃO ESCOLAR E O CRIME NO BRASIL

Com uma taxa de quase 21 homicídios por arma de fogo para cada 100 mil habitantes, o Brasil ocupa a 10ª posição entre os 100 países mais violentos do mundo. Morre-se mais no Brasil do que em países em estado de guerra declarados.

O aumento da criminalidade no Brasil vem ocorrendo cada vez mais, afetando o presente e o futuro de famílias vítimas dessa criminalidade e provocando, variados debates e concepções ideológicas de como combatê-la.

Sem contar as vidas perdidas, o crime custa ao Brasil mais de 100 bilhões de reais ao ano, 10% do seu PIB. A quem interessa o uso de tantos recursos sem resultados para a sociedade?
Para os sociólogos, o crime é a resposta do indivíduo ao meio em que vive, dependendo do cruzamento de vários fatores sociais.

Desses fatores sociais, destaco a escolarização ou a falta dela, especificamente a Evasão Escolar.

Estudos tem mostrados, que a principal vítima da violência homicida no Brasil é a juventude negra na faixa de 15 a 29 anos de idade com baixo nível de escolaridade e que abandonou a Escola entre os 11 a 15 anos.

Quando estes adolescentes se afastam da escola, são recrutados pelo tráfico de drogas e são socializados pelo crime.

 A prevenção da criminalidade deve levar em conta a redução da evasão escolar, aspecto que costuma ser negligenciado no Brasil, uma vez que o país apresenta a terceira maior taxa de abandono escolar entre os 100 países de maior IDH (Índice de Desenvolvimento Humano) do mundo, atrás apenas da Bósnia e Herzegovina e do arquipélago de São Cristóvão e Névis.

Uma pesquisa do Pnud (Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento) mostrou que a cada quatro alunos que inicia o ensino fundamental no país um abandona a escola antes de completar a última série.

Por que as escolas não conseguem manter esses jovens?

Nós professores, precisamos estar mais qualificados para atender uma demanda de situações que não fomos preparados. Estamos despreparados para lidar com alunos mais vulneráveis e problemáticos.

A Escola por sua vez, deve ser um espaço de acolhimento, pertencimento, encontros e relações, não apenas um depósito gradeado de pessoas. Ela precisa estar conectada com as comunidades em regiões violentas.

Pelo medo do crime, a Escola deixou de se relacionar com as comunidades nas periferias. Transformaram-se em bunkers com grades, cadeados e polícia. 

A desvalorização social da escola com a proletarização do professor nestas últimas décadas, tem afetado o interesse pelos estudos, principalmente nas Escolas Públicas, cuja história de vida dos alunos são de perdas e de falta perspectiva.

Das 20 cidades mais violentas por homicídios do Brasil, 6 são Baianas e 6 de Alagoas, justamente os estados que apresentam as piores taxas de Educação no Brasil.

As políticas públicas na área de segurança, priorizam a punição em detrimento da prevenção. No Brasil um preso vale em média R$ 1.700 por mês, 11 vezes mais do que um aluno da rede estadual de ensino.

É um custo enorme em fundo perdido, pois está provado que nosso sistema prisional está falido, haja visto ele não conseguir recuperar e ressocializar o detento.

 Paralelo a criação de leis mais rígidas, aumento de policiais e construção de cadeias, precisamos urgentemente ampliar e melhorar os espaços escolares e estabelecer estratégias para permanência dos alunos na Escola de tempo integral.

Não há transformação social sem investimento na Educação. A cada ano de estudo, impacta na empregabilidade e renda do jovem.

Se a violência começa pela mente dos homens, deve ser na mente dos homens que a cultura da paz e do respeito ao outro devem ser construída, e a Escola é o espaço propício para essa construção.

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