Professor Reinaldo Soares

Professor Reinaldo Soares é Mestre em Cultura e Turismo, Professor da Educação Básica e Pós-Graduação, Diretor do IBEC e da Faculdade Santo Agostinho - FACSA. Ex Presidente do Conselho Municipal de Educação de Ilhéus, Palestrante e Assessor na área de Educação, Empreendedorismo, Cultura e Turismo. Foi candidato a Prefeito de Ilhéus em 2016 com o lema Sim é possível.

A Sociedade do Espetáculo

O livro hoje recomendado, é intitulado A Sociedade do Espetáculo.  Publicado em 1967 pelo pensador francês Guy Debord, é considerado uma das 10 principais obras do Século XX.

Nesta obra, composta de nove capítulos, Debord faz uma crítica radical a todo e qualquer tipo de imagem que leve o homem à passividade e à aceitação dos valores preestabelecidos pela sociedade midiática.

Para ele, ‘toda a vida das sociedades se apresenta como uma imensa acumulação de espetáculos. Tudo o que era vivido diretamente tornou-se uma representação’.

Os indivíduos na sociedade dos espetáculos, renunciam a realidade dos acontecimentos da vida e passam a viver num mundo movido pelas aparências e consumo permanente de fatos, notícias, produtos e mercadorias.

Esse contexto nos deve preocupar, pois instituições e pessoas se reconstroem em uma aparência, sustentada na exposição midiática sem um aprofundamento da realidade objetiva, criando uma  sociedade esfacelada e dividida.

As mídias são apenas ‘a manifestação superficial mais esmagadora da sociedade do espetáculo, que faz do indivíduo um ser infeliz, anônimo e solitário em meio à massa de consumidores’’.

Resultado desse contexto, a depressão tem sido a principal doença do século XXI. Ela reflete a solidão em meio à multidão. A fragilidade nas relações são resultados dessa espetacularização, onde se demonstra centenas de amigos nas redes sociais, mas no entanto, 90% desses “amigos” são virtuais.

Em nome da espetacularização da informação, noticiamos as tragédias privadas sem o menor pudor e humanismo. Imagens e cenas de violência são compartilhadas de forma natural.

Precisamos ter muito cuidado, pois vivemos em um ambiente da manipulação, onde o homem acaba sendo governado por algo que ele próprio criou, pois segundo Debord, “no mundo realmente invertido, o verdadeiro é um momento do falso”.

A conjuntura política, econômica, social e cultural em que vivemos, torna a leitura do livro de Debord bastante oportuna e indispensável.

IBEC SE TORNA POLO DA UNIFACS LAUREATE

O Instituto Brasileiro de Educação, Ciência e Tecnologia- IBEC, ampliando e fortalecendo ações na área educacional, assinou contrato e se tornou Polo EAD da UNFACS/LAUREATE em Ilhéus.

Considerado o maior grupo educacional do mundo, com mais de 80 instituições de ensino superior presente em 29 países, a norte-americana LAUREATE adquiriu no Brasil a Universidade Salvador – UNIFACS, Universidade Anhembi Morumbi, Universidade Potiguar –UnP, a UNINORTE em Manaus e o complexo educacional FMU.

Com objetivo de tornar-se referência em EAD no Brasil, a LAUREATE buscou instituições com experiência e credibilidade nos municípios para se tornarem seu Polo, oferendo cursos de Graduação e Pós-Graduação.

Os cursos do EAD UNFACS/LAUREATE representado pelo IBEC, são 100% on line com orientação de tutores e suporte dos Polos nas avaliações e acompanhamento.

 Para o Professor Reinaldo Soares, Diretor do IBEC, esta parceria consolida o Ibec como instituição antenada ás demandas do mercado e necessidades do consumidor que tem na Educação sua inserção social e crescimento profissional.

Ao tornar-se Polo do EAD UNFACS/LAUREATE, o Ibec oportuniza aos moradores de Ilhéus e região, cursarem o seu tão sonhado curso superior em Negócios Imobiliários, Administração, Ciências Contábeis, Letras, Pedagogia, Serviço Social, Gestão Hospitalar, Marketing e mais outros 10 cursos autorizados pelo MEC que fazem parte do portfólio.

 Mostrando que veio para ser líder, a LAUREATE contratou como garota propaganda a cantora Ivete Sangalo, que por meio de inserções em mídias nacionais, estará divulgando os cursos que tem mensalidades a partir de R$159,0.

As inscrições poderão ser feitas pelos sites ibecbr.com.br, eadlaureate.com. br ou visitar o Ibec na Rua Maria Quitéria, Centro de Ilhéus, na antiga fábrica do Café Polar. O telefone do contato é 3633-3205, WatsApp 98877-2914 e o horário de atendimento é das 14:00 ás 22:00.

BRASIL: Uma Nação dividida.

 

BRASIL DIVIDIDO

 

 

 

Vivemos no Brasil, um clima de divisão permanente, entre eles e nós, coxinhas e mortadelas.

Os brasileiros estão cada vez mais se dividindo e, nessa divisão estamos perdendo o sentido comum.

Não se discute se os coxinhas representam a direita e os mortadelas a esquerda. A discussão deve ser qual o Brasil que queremos? Que tipo de país desejamos?

Luta-se para mostrar quem começou a corrupção ou quem é mais ou menos corrupto.

A discussão para construir um país melhor é que a punição seja para todos, não importa que seja coxinha ou mortadela. Não importa que seja Eles ou Nós.

Ou estancamos a sangria da corrupção que o Brasil apresenta, ou perderemos esse momento histórico de remodelar os políticos e a forma de fazer política.

A dicotomia Direita X Esquerda nesse contexto está superada em torno dos corruptos e não corruptos.

O futuro do Brasil passa por uma mudança de postura. Essa mudança envolve desde o nascimento oficial do Brasil, quando lá em sua carta, Pero Vaz de Caminha encerra pedindo ao Rei de Portugal um emprego pra seu genro que estava nas índias.

Ai surge o Nepotismo no Brasil que permanece até hoje com suas variações de corrupção.

A Ética é relativizada quando nos afeta ou envolve quem é do nosso convívio. Na medida que relativizamos a Ética, estamos relativizando o que é certo e errado, o legal e o moral se confrontam e os príncípios são superados.

Ou pensemos o Brasil em uma perspectiva maior, de Nação, ou reduziremos a fetiches de coxinhas e mortadelas.

O combate a corrupção envolve a punição de corruptos e corruptores. Envolve mudança de hábitos e posturas. Envolve mudança cultural. Começemos e lutemos por isso.

DIA DO PEDAGOGO: “GUARDIÃO DO ESTADO”

Neste 20 de Maio, comemora-se o dia do Pedagogo. A data foi instituída em 2010 no Brasil, como forma de valorizar e discutir a importância desse profissional na sociedade.

De origem grega, a palavra Pedagogo vem de PAIDAGOGOS, de PAIS, “criança”, mais AGOGOS, “guia”, “líder”, AGEIN, “guiar”.

A origem Latim, é PAEDAGOGUS, o escravo que levava o filho à escola da antiga Roma e o supervisionava em termos gerais, passando mais tarde a ensinar essa criança também.

O símbolo oficial da pedagogia  é o Caduceu de Hermes à frente de uma flor de lis.

O caduceu é um tipo de bastão vertical com asas, em torno do qual se enrolam duas serpentes. Esse bastão representa o poder do profissional, sua capacidade de trazer mudanças. As asas revelam o equilíbrio dessa transformação, bem como a qualidade do pedagogo, que deve ser ágil e disponível. As serpentes entrelaçadas em torno do bastão, por sua vez, representam conhecimento e sabedoria. Além da sabedoria, a flor de lis é símbolo do espírito nobre e da orientação.

O filósofo grego Platão é considerado como o primeiro pedagogo, por este ter desenvolvido um sistema educacional integrado a uma dimensão ética e política. Para Platão, o objetivo final da educação, era a formação do homem moral, vivendo em um Estado justo.

Ao longo do tempo, o Pedagogo se firmou como um profissional relacionada à ciência do ensino, muito focada apenas no conhecimento instrumental, técnico.  Na visão platônica, o sistema de ensino deve mobilizar a sociedade para formar sábios e encontrar virtudes, realidade muito distante do que encontramos.

Em momentos de instabilidade, precisamos encontrar soluções na área que garante um futuro sustentável, essa área é a Educação e o Pedagogo é o especialista que, a partir de uma formação solida e valorização social e econômica, será capaz de pavimentar caminhos de uma sociedade mais virtuosa, menos individualista e mais justa.

Parabéns aos Pedagogos pela brilhante missão de criar possibilidades para humanizar a sociedade a partir da mediação do conhecimento, tornando-se Guardiães do Estado na perspectiva Platônica.

O AÇOUGUEIRO QUE DESPOSTOU AS ENTRANHAS DO PODER POLÍTICO NO BRASIL

Conhecido no meio empresarial como o açougueiro, Joesley Batista transformou um modesto frigorífico criado por seu Pai em Goiás, no maior grupo privado do Brasil e o maior produtor de proteína animal do mundo.

A Holding (sociedade gestora que controla conglomerado de várias empresas) J&F Investimentos, é proprietária da JBS (Friboi, Seara, Laticínios Vigor), Hipermarcas (medicamentos, higiene e limpeza), Papel e celulose, Termoelétricas, Canal Rural e Radio Rural, Alpargatas (sandálias Havaianas) e o recém criado Banco Original.

O modesto açougueiro, tornou-se em 10 anos, industrial, empresário de mídia e banqueiro. Um feito enorme de dar inveja a grandes empreendedores e capitalistas do mundo.

Assim como o Eike, que também é Batista, Joesley o açougueiro, foi agraciado pelos governantes em receber financiamentos do BNDES, investimentos de Fundos de Pensão e recursos do FGTS, todos com juros de Pai para Filho, aliás, nem todo Pai.  Sem tirar os “méritos” dos Batistas, se tornou mais fácil o caminho, principalmente tendo um Ministro da Fazenda como assessor e lobista.

Com a Lava Jato e o apetite insaciável de corruptos e corruptores, esse castelo de areia iria implodir. Se a delação da Odebrecht era chamada de fim do mundo, a de Joesley é Apocalíptica. No sentido literal do nome da operação, por mais que imaginávamos o que ocorria, as revelações acompanhadas de contundentes provas nos faz imaginar que estamos realmente vivendo o Apocalipse.

Muitos tem dito que foi muito branda as implicações para os Batista, pois preservam seu vultoso patrimônio, moram em New York e não usam tornozeleiras.

 Comparando ao que ocorreu com a Odebrecht e com Marcelo que continua preso, procede. No entanto, o açougueiro Joesley mostrou habilidade maior que o alemão Odebrecht. Se antecipou na delação, preparou o terreno da corrupção e aproveitando da intimidade com o poder, de um corte apenas despostou o já combalido Aécio Neves e antecipou o abate do fragilizado Presidente Temer.

Os dias vindouros prometem muito, várias revelações virão à tona e mais poderosos irão para o abate. Dentre os benefícios que essa operação apresenta, destaca-se o fato de anular a narrativa lulista-petista de perseguição, seletividade e de um imprensa golpista.

As instituições Polícia Federal, PGR, Judiciário e Imprensa saem fortalecidas, enquanto os poderosos corruptos e seus corruptores serão e são abatidos pelo corte fatal do açougueiro Joesley Batista.

Viva a Democracia com seus mecanismos isentos e autônomos!

IBEC CELEBRA CONVÊNIO COM A CODEBA

 

 

 

O Instituto Brasileiro de Educação, Ciência e Tecnologia- IBEC, ampliando e fortalecendo ações para qualificação dos seus alunos, assinou convênio de estágio com a Companhia de Docas da Bahia – CODEBA.

Publicado no Diário Oficial da União do último dia 9 de maio, esse importante convênio, objetiva oportunizar aos alunos dos Cursos Técnicos de Eletrotécnica, Segurança no Trabalho e Logística realizarem estágio na CODEBA, uma vez que Estágio Supervisionado, é obrigatório nos Cursos Técnicos do IBEC.

 Funcionado há dez anos em Ilhéus, o IBEC tem atuado de forma qualitativa na formação de Jovens e Adultos nos Curso Técnicos de Eletrotécnica, Hospedagem, Logística e Segurança no Trabalho, além dos já consolidados cursos de Pós-Graduação em parceria com a Faculdade Santo Agostinho – FACSA.

Para o Professor Reinaldo Soares, Diretor do IBEC, parceria como essa permite aos alunos vivenciarem a prática e ao mesmo tempo entrar em contato com o tão sonhado mercado de trabalho. Dezenas de nossos alunos estão empregados por conta do estágio, declara o Professor Reinaldo Soares.

Além da CODEBA, o IBEC possui convênio de Estágio com o CIEE, IEL, Abrigo São Vicente e várias empresas que, percebendo a importância do estágio, abrem seus espaços para os alunos do IBEC. Esperamos que outras instituições e empresas nos procure na tentativa de celebrar convênios, declara o Professor Reinaldo.

A 11º turma de Eletrotécnica está iniciando, não perca tempo, matricule-se nesse curso que possibilita uma remuneração média em torno de R$3.000,00 (três mil reais). Ótima opção em um cenário de crise.

 O IBEC está situado na Rua Maria Quitéria, Centro de Ilhéus, na antiga fábrica do Café Polar. O telefone do contato é 3633-3205, WatsApp 98877-2914 e o horário de atendimento é das 14:00 ás 22:00.

 

A SUPERAÇÃO DA DICOTOMIA DIREITA X ESQUERDA

O termo Direita x Esquerda é sempre evidenciado nas discussões político-ideológica. Vale salientar que essa terminologia surgiu na França Revolucionária, quando identificava a posição dos participantes da Assembléia Constituinte de acordo a posição de assento.

Durante os debates sobre a Constituição Francesa em 1789, os deputados ligados à aristocracia e aos defensores da monarquia constitucional, bem como os membros da alta burguesia, sentavam-se à direita do plenário. Esse grupo ficou conhecido na França como os girondinos, em decorrência de serem provenientes principalmente da província de Gironda. Os girondinos, ou a Direita, defendiam que o processo revolucionário fosse interrompido. O objetivo principal era consolidar as conquistas burguesas e evitar a radicalização da revolução.

À esquerda do plenário ficava a Montanha, por ser o local mais alto do parlamento. A Montanha era formada principalmente por deputados jacobinos e pelos membros do Clube dos Cordeliers. A esquerda francesa defendia medidas de aprofundamento e radicalização da revolução, principalmente as que garantiam melhorias na vida da população pobre, e que abrissem a participação política a todos os habitantes.

Essas definições mudaram ao longo das décadas na França e nos demais países. Porém, alguns aspectos principais não mudaram tanto. Apesar das várias divisões internas e das várias formas de manifestação de interesses, a direita continua a defender medidas sociais, econômicas e políticas liberais, que acabam beneficiando o livre comércio e a competitividade em todos os setores do poder econômico na sociedade capitalista.

A esquerda liga-se tanto a medidas populistas que buscam reformar o capitalismo, dando a ele uma face mais humana, quanto a propostas revolucionárias, que têm como objetivo destruir essa forma de organização social e construir uma nova, onde não haveria exploração e nem opressão de uma pessoa sobre outra.

Vejamos o que ocorreu no França neste domingo dia 07. Com mais de 60% dos votos, o centrista Emmanuel Macron foi eleito Presidente da França desbancando a esquerda, a direita e extrema direita. Simbolicamente, comemorou sua vitória distante dos tradicionais espaços sempre ocupados pelo Partido Socialista (Esquerda) e Partido Republicano (Direita).

A vitória de Macron representa uma grande passo na superação da dicotomia Direita x Esquerda justamente no país que originou essa diferença política. Essa superação se aplica também ao modelo político e perfil de políticos vigente, seja na França ou no Brasil.

No Brasil, depois de 13 anos no poder, a esquerda propiciou relevantes mudanças sociais, mais foi completamente omissa na mudança de estruturas que emperram o desenvolvimento sustentável do país, além de operar o poder pelo poder, criando uma casta de aristocratas partidários que enriqueciam ás custas de uma pseudo ideologia sustentada por um amplo desvio de recursos públicos, mantendo e ampliando uma cultura corrupta que sangra o Brasil e os brasileiros.

No que se refere a Direita, há um descaminho, em virtude da ausência de lideranças capazes de construir e representar um projeto de Nação que propicie o desenvolvimento sustentável com respeito às causas sociais e representativas de uma sociedade cada vez mais diversa e atuante.

Esse imobilismo político partidário, urge nos anseios da sociedade, práticas políticas de gestores e agentes públicos pautadas na ética e zelo com os recursos públicos que resulte em uma gestão eficaz que reflita na saúde, educação, segurança, geração de emprego e renda e mobilidade urbana para uma população que paga cada vez e usufrui cada vez menos.

Mais do que ser de Direita ou de esquerda, precisa-se ações aglutinadoras que resgate a importância e o respeito do fazer político. Ao contrários dos norte-americanos e britânicos, os franceses enfrentaram seus problemas e dilemas com otimismo, sem radicalismo e populismo.

OS DONOS DO PODER

O livro hoje recomendado, foi publicado em 1958 pelo advogado gaúcho Raymundo Faoro. Os Donos do Poder: Formação do Patronato Brasileiro, é um livro clássico para entender como funciona as estruturas de poder no Brasil, uma vez, que prevalece o poder de uma minoria dominante, que nem sempre consegue representar a maioria.

Dois conceitos são destacados em os Donos do Poder: Estamento burocrático e patrimonialismo. Faoro vai usar o conceito de Estamento Burocrático do sociólogo alemão Max Weber para explicar a funcionalidade do Poder no Brasil.

O estamento burocrático possui sua própria estrutura, condicionada pelas forças econômicas e sociais, mas estando acima da nação que representa.  Segundo ele, o Estamento Burocrático é formado por um grupo social cuja finalidade é dominar a máquina política e administrativa obtendo prestígio e riqueza inerentes ao seu controle. Esse grupo, representado pelas autoridades públicas (políticos, agentes públicos, elite estatal), possui um aparelhamento próprio que invade e dirige a esfera econômica, política e financeira, comandando o ramo civil e militar da administração.

O estamento burocrático (autoridades públicas) se apresenta como seres quase inatingíveis a quem a lei praticamente não atinge, protegidos por um Foro Privilegiado, fazem o que queres e como querem, sem serem questionados pela sociedade. Quando o são, usam sua autoridade hierárquica e formulam a pergunta: “Você sabe com quem está falando”? Demonstração objetiva de arrogância e prepotência.

O estamento burocrático possui uma estrutura de poder rígida e inflexível, impondo ao conjunto da sociedade o impedimento à inovação e modernidade das estruturas de poder.

O Patrimonialismo se caracteriza pelo Estado que não possui uma clara distinção entre o que é público e o que é privado. Em uma sociedade patrimonialista, o Estado é dominado por um grupo social que o utiliza como instrumento da manutenção de seus interesses. Esta prática está muito presente na tradição da institucionalização do poder no Brasil, uma vez que aqui primeiro se criou o Estado e depois a Sociedade Civil. Aqueles que controlam o Estado, passa a controlar a Sociedade. Sendo assim, a sociedade e a democracia brasileira ainda estão em um processo de se consolidarem plenamente nos princípios da modernidade.

A minoria dirigente, não é fiel à maioria que ela se diz representar, somente representa as forças que legitimam e perpetua seus interesses, utilizando para isso, discursos ideológicos e construções de narrativas criadoras de “verdades” e mitos.

A consequência deste modelo, é a formação de uma sociedade frustrada pela minoria que deveria representar a nação e não o fez, uma sociedade que encontra-se impedida de avançar devido à resistência de uma burocracia atrasada e injusta, que resiste a não se modernizar.

O país dominado por essa elite estatal precisa emancipar-se das oligarquias políticas, dos caciques partidários e líderes sindicais que fazem parte das forças sociais dominadoras do poder minoritário sobre a maioria da população.

Essa emancipação só será possível, quando o povo estiver preparado para entender a complexidade do governo e compreender a dinâmica dos negócios públicos, fatos que são difíceis de serem alcançados, pois o povo brasileiro se mostra desinteressado pela coisa pública.

Assim, resta ao povo oscilar entre a omissão, a mobilização de passeatas sem participação política e a nacionalização do poder, ficando mais preocupado com quem vai ocupar os espaços de poder nas próximas eleições e sua ligação e intimidade com os próximos ocupantes dos cargos.

Neste contexto, é possível dizer que a soberania popular não existe, senão como farsa, pois se constata que o estamento burocrático pode operar sem que o povo perceba seu caráter patrimonialista, exceto em momentos de conflitos e de tensões, quando membros de órgãos estatais (Judiciário e do Ministério Público) e da sociedade civil organizada, respaldados na Constituição, se aproximam do mundo real e atuam no centro do poder político.

Após 59 anos de sua primeira publicação, ler ou reler os Donos do Poder de Raymundo Faoro, nos permitirá ter uma maior clareza do que se passa nos mecanismos de poder político do Brasil atual.

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