A SUPERAÇÃO DA DICOTOMIA DIREITA X ESQUERDA

O termo Direita x Esquerda é sempre evidenciado nas discussões político-ideológica. Vale salientar que essa terminologia surgiu na França Revolucionária, quando identificava a posição dos participantes da Assembléia Constituinte de acordo a posição de assento.

Durante os debates sobre a Constituição Francesa em 1789, os deputados ligados à aristocracia e aos defensores da monarquia constitucional, bem como os membros da alta burguesia, sentavam-se à direita do plenário. Esse grupo ficou conhecido na França como os girondinos, em decorrência de serem provenientes principalmente da província de Gironda. Os girondinos, ou a Direita, defendiam que o processo revolucionário fosse interrompido. O objetivo principal era consolidar as conquistas burguesas e evitar a radicalização da revolução.

À esquerda do plenário ficava a Montanha, por ser o local mais alto do parlamento. A Montanha era formada principalmente por deputados jacobinos e pelos membros do Clube dos Cordeliers. A esquerda francesa defendia medidas de aprofundamento e radicalização da revolução, principalmente as que garantiam melhorias na vida da população pobre, e que abrissem a participação política a todos os habitantes.

Essas definições mudaram ao longo das décadas na França e nos demais países. Porém, alguns aspectos principais não mudaram tanto. Apesar das várias divisões internas e das várias formas de manifestação de interesses, a direita continua a defender medidas sociais, econômicas e políticas liberais, que acabam beneficiando o livre comércio e a competitividade em todos os setores do poder econômico na sociedade capitalista.

A esquerda liga-se tanto a medidas populistas que buscam reformar o capitalismo, dando a ele uma face mais humana, quanto a propostas revolucionárias, que têm como objetivo destruir essa forma de organização social e construir uma nova, onde não haveria exploração e nem opressão de uma pessoa sobre outra.

Vejamos o que ocorreu no França neste domingo dia 07. Com mais de 60% dos votos, o centrista Emmanuel Macron foi eleito Presidente da França desbancando a esquerda, a direita e extrema direita. Simbolicamente, comemorou sua vitória distante dos tradicionais espaços sempre ocupados pelo Partido Socialista (Esquerda) e Partido Republicano (Direita).

A vitória de Macron representa uma grande passo na superação da dicotomia Direita x Esquerda justamente no país que originou essa diferença política. Essa superação se aplica também ao modelo político e perfil de políticos vigente, seja na França ou no Brasil.

No Brasil, depois de 13 anos no poder, a esquerda propiciou relevantes mudanças sociais, mais foi completamente omissa na mudança de estruturas que emperram o desenvolvimento sustentável do país, além de operar o poder pelo poder, criando uma casta de aristocratas partidários que enriqueciam ás custas de uma pseudo ideologia sustentada por um amplo desvio de recursos públicos, mantendo e ampliando uma cultura corrupta que sangra o Brasil e os brasileiros.

No que se refere a Direita, há um descaminho, em virtude da ausência de lideranças capazes de construir e representar um projeto de Nação que propicie o desenvolvimento sustentável com respeito às causas sociais e representativas de uma sociedade cada vez mais diversa e atuante.

Esse imobilismo político partidário, urge nos anseios da sociedade, práticas políticas de gestores e agentes públicos pautadas na ética e zelo com os recursos públicos que resulte em uma gestão eficaz que reflita na saúde, educação, segurança, geração de emprego e renda e mobilidade urbana para uma população que paga cada vez e usufrui cada vez menos.

Mais do que ser de Direita ou de esquerda, precisa-se ações aglutinadoras que resgate a importância e o respeito do fazer político. Ao contrários dos norte-americanos e britânicos, os franceses enfrentaram seus problemas e dilemas com otimismo, sem radicalismo e populismo.

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